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Hoje Somos Silêncio

segunda-feira, agosto 08, 2016


Hoje o meu coração bate de um jeito diferente. Como se já não soubesse mais como bater, como se houvesse esquecido o porquê de estar ali. Hoje eu sinto como se estivesse deitada com um peso sobre o meu peito, que não me deixa respirar, tampouco me levantar. É como se eu tivesse esquecido como caminhar - ou simplesmente existir. Como se eu não soubesse mais respirar sem você ao meu lado para dizer que eu reclamo demais do frio.

Como pôde fazer isso comigo, meu bem? Eu não sei como aconteceu. E esse aperto no meu peito não para. Ah, como eu gostaria que passasse... como eu queria que houvesse um botão capaz de me fazer lembrar de como eu era antes de você. Afinal, ouve um antes de você, certo? Parece que não. É como se você sempre estivesse aqui.

E agora, menino? Quem vai me falar que eu reclamo demais das coisas? Quem é que vai falar a semana inteira que tá morrendo de saudade de mim? Quem vai olhar comigo todas as temporadas de Two and a Half Men sob as cobertas nesse frio de maio? Eu gostaria que você respondesse a essas perguntas com um grande e sonoro "eu, meu bem". Mas eu sei que não vai, porque o vazio que ficou quando fostes embora não me deixa esquecer que já estás bem longe de mim.

Dói. Dói pra caramba. Eles dizem "calma, tudo passa", mas parece que eles mentem o tempo todo apenas para que eu acene com a cabeça, esboce um sorriso falso e diga "eu sei". Porque eu não sei de mais nada, caramba. É como se tudo houvesse se tornado um branco. Um livro sem final, um filme sem cenas extras, uma música interrompida na melhor parte. Eu amava dançar contigo.

Hoje te vejo, e não digo uma palavra. O que eu sinto não sai, apenas escorre pelos olhos. Não sei o que sentes. Hoje somos estranhos um para o outro, estranhos que um dia compartilharam a cama, os sonhos e os devaneios. Hoje somos silêncio, menino. E eu te digo que ele dói mais do que todas as palavras que você me disse quando decidiu partir. A dor do silêncio é o tapa na cara que me mostra o quão grande é o abismo em que caí quando não pude mais te ter aqui.

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10 comentários

  1. Aff chega doeu aqui rs.
    Sou daquelas que odeio o silêncio principalmente quando ele serve para falar aquilo que sufoca o peito.
    Texto lindo Mari. ♥

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  2. "Não sei o que sentes. Hoje somos estranhos um para o outro, estranhos que um dia compartilharam a cama, os sonhos e os devaneios. Hoje somos silêncio, menino. E eu te digo que ele dói mais do que todas as palavras que você me disse quando decidiu partir"
    Caramba, eu todinha nesse texto. Lindo a forma como você descreve os sentimentos <3

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    1. Amanda, que fofa! Muito obrigada, fiquei muito feliz com o teu comentário ♥♥ Que bom que se identificou :)

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  3. Nossa que lindeza menina! Você brinca com as palavras... Muito bom!

    "Dói. Dói pra caramba. Eles dizem "calma, tudo passa", mas parece que eles mentem o tempo todo apenas para que eu acene com a cabeça, esboce um sorriso falso e diga "eu sei". Porque eu não sei de mais nada, caramba. É como se tudo houvesse se tornado um branco." Amei...

    Te sigo desde meu blog literário, mas infelizmente não deu certo :( Atualmente fiz um blog de estética, e quero dar dicas e falar sobre assuntos respectivos...
    Caso queira me visitar, será uma honra: https://www.esteticando-se.com
    Beijos e sucesso.

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    Respostas
    1. Awn, muito obrigada Manu, de verdade ♥ Ah, e pode deixar que vou te visitar sim, viu?

      Beijos e sucesso pra ti também!

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  4. que lindo!!!! :´)
    adorei mesmo, muito bom o texto!

    xoxo
    Guria do Século Passado

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