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Será que você ainda vai lembrar de mim?

quarta-feira, fevereiro 03, 2016


Foi no dia 3 de março. Talvez você nem lembre mais, mas eu sempre fui bom com datas. Inclusive a sua mãe está de aniversário amanhã, e eu tenho uma saudade dela e dos bolos que ela fazia quando eu ia aí passar o final de semana. Aliás, eu esqueci o meu casaco na tua casa e ainda preciso buscar. E buscar outra coisa que eu deixei aí: uma parte de mim, morena. Na verdade, já se passaram tantos anos que ela já deve ter se habituado ao teu aconchego. Assim como o meu casaco, a não ser que você o tenha colocado fora.

Talvez a essa hora você esteja saindo por aí com um cara que eu provavelmente não iria gostar. Beijando bocas cujos donos não precisam nem perguntar o teu nome para ter a autorização de agarrar os teus cabelos. E isso dói, lá no fundo. Dói pra caramba, pra falar a verdade. É como se eu levasse um tapa na cara cada vez que visse algo a seu respeito, como se uma placa com luzes fluorescentes piscasse na minha frente com as escritas "você perdeu, otário". Eu sei que eu fui um babaca. Mas é que antes de você, eu não sabia como não ser um. Depois de você? Eu me tornei um idiota completo. Por você.

Amanhã você vai passar na cafeteria por volta das 9 para pegar um mocaccino, como faz em todas as terças. Não, eu não ando seguindo você, é que eu tenho um amigo lá e ele me contou. Disse que você está diferente, esbanjando confiança e falando com todo mundo. Logo você, que era tão quietinha... Até cortou o cabelo curto, e eu estou louco pra ver, confesso. Você deve estar linda com o cabelo curto. Será que ainda aperta o tubo da pasta de dentes ao meio e esquece as portas do guarda-roupa abertas? É que eu não mudei nada, nem um pinguinho. Só deixei a barba crescer e parei de usar aquelas camisas ridículas. E não, eu não uso calça bege.

Quando você tiver aqueles dias tristes, em que ninguém te ouvir, será que você vai lembrar de quando eu te escutava por horas e horas? Sabe, eu sei que haverão dias em que você vai ter vontade de fugir. E eu posso ser teu refúgio. No dia em que você estiver exausta e se lembrar dos dias da faculdade, será que vai se lembrar de quando estudávamos juntos? Quando se olhar no espelho e ver as marcas da idade, será que vai se lembrar de quando eu prometi que estaria com você até o fim?

É amanhã. Eu finalmente vou te ver e tentar não mostrar o meu jeito mais atrapalhado que sempre insistiu em aparecer quando a gente ficava perto. É o que você me causa, menina. Preciso dizer que o meu peito já está saltitando em ritmo de escola de samba, e você sabe que eu odeio o carnaval. É você, mesmo. Será que você ainda vai lembrar de mim? Ou melhor: será que algum dia eu vou esquecer de você?

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12 comentários

  1. Completamente apaixonada pelos seus textos. Muito lindo!!! Parabéns Mari! :)

    www.vestidinhojeans.com

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    1. Ai muitoo obrigada Renata, fico muito feliz que tenha gostado deles :))
      Beijoss

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  2. Há que texto, dona moça ♥ a saudade e a nostalgia é uma coisa tão doida, não é? Parece que por mais que tentemos esquecer ou seguir em frente, sempre fica aquele resquício, aquele último fiozinho. Mas sempre tem a parte boa também, quando vemos tudo que conquistamos no outro, e no quanto ele nos marcou. Enfim, texto impecável.

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    1. É mesmo, o outro sempre acaba deixando um pedacinho com a gente. Por mais que passe, sempre tem algo que fica. É bom quando temos ótimas lembranças e aprendizados guardados com nós, e que cada pessoa nos proporciona de um jeitinho diferente. Muuito obrigada pelo carinho Kelly <3
      Beijos.

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  3. oi, oi.

    "será se algum dia eu vou esquecer de você"? essa é a pergunta que eu sempre me faço à respeito da minha grande paixão. já se passaram dois anos desde que aconteceram algumas tretas e até hoje ainda não superei. mas, bora continuar aguardando o tempo. :)

    teu texto ficou lindo e, novamente, define bem o meu momento. e é mais ou menos assim mesmo... quando a gnt ama alguém de verdade, é difícil esquecer, principalmente não lembrar da forma como ela agia se tornando única na nossa vida. =/

    bjs!
    Não me venha com desculpas

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    1. Ah moço, pior que esse pensamento sempre passa na nossa mente quando gostamos de alguém, parece que nunca vai passar. Temos que dar um tempo ao tempo.

      Que bom que se identificou, muito obrigada ♥ É sim, essas coisas são muito complicadas. Mas ontem li um texto cujo trecho não me recordo muito bem, mas era algo como "a vivência de um amor compensa o sofrimento que vem depois". Eu acho que vale à pena a gente se arriscar e ter um amor desses que se faz aconchego, mesmo sentindo tanta saudade depois.

      Tenho certeza que se o seu amor for teu, ele vai voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

      Beijos.

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  4. Amo ler o que você escreve! Apaixonada pelas suas crônicas. Perfeito Mari. Bju

    ehmainha.com

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    1. Awn, muito obrigada Margareth <3 Fico muuito feliz que goste.
      Beijos.

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  5. Há Mari, que texto lindo amei demais.
    Aquele amor que gruda feito tatuagem e tira da gente o nosso melhor, que nem a gente sabia que possuía, lindo.
    Beijo

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    1. Muito obrigada Cami, como sempre me deixando super feliz com os comentários.
      É exatamente assim como tu falou. Tem gente que mostra o nosso lado mais bonito.
      Beijos =)

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  6. Que texto lindo Mari, me senti um pouco esse garoto. Vontade de colar o texto na parede do quarto e ler todos os dias. ♥

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    1. Awn, como lidar com um comentário assim? Muito obrigada, Gabi ♥ Acho que todo mundo já se sentiu um tantinho como o moço da história, às vezes alguém nos marca tanto que parece ser impossível tirar essa pessoa de nós.

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