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Uma semana

sexta-feira, setembro 25, 2015


Para ler ao som de: Ed Sheeran - Shirtsleeves


Ah, meu bem, se soubesses da falta que fazes. Se soubesses que guardei cada uma das tuas palavras na ponta da língua e em uma mente saturada de lembranças. Se soubesses que guardei, sorrateira, todos os meus devaneios para mim... ah, querido, será que sabes da saudade que provocas?

Guardei-te em um potinho de recordações, e coloquei-o na gaveta mais escondida do meu armário. Coloquei em uma caixinha, trancada à dezesseis chaves, com senha e envolta por outra caixa. Passei o teu perfume na fronha do meu travesseiro para nunca me esquecer do teu cheiro, teu cheiro que ficou na minha nuca durante tantas noites. Dormi com o teu moletom no outro dia, para não me esquecer do teu calor. Brinquei com as lembranças como quem brinca de amarelinha, pulando de um canto a outro. Sabes bem que eu adoro visitá-las de vez em quando.

Hoje a casa respira a tua ausência, e eu vivo sendo saudade. Ainda não consegui trocar os lençóis - eles estão exatamente como os deixamos naquele dia. Sem tua voz aqui faz silêncio, sem tua presença aqui faz vazio. Eu até aprendi a cozinhar alguma coisa qualquer, pois sobra-me tempo e transborda saudade. 

Sento-me no parapeito da janela enquanto bebo mais um gole da sua bebida favorita, e observo os carros passando pela rua. Ah, se tu estivesses em um daqueles carros... baterias na minha porta, e me faria implorar pela tua entrada só para me ver deixando o orgulho de lado mais uma vez. Daria-me um beijo de tirar o fôlego, e me faria pedir mais. E eu sorriria, inebriada pelo teu abraço que aperta-me com força o bastante para me segurar e equilibrada o suficiente para não me machucar. É que nós somos assim: para-raios dos nossos amores.

Ouço três batidas na porta, e levanto-me imediatamente, como quem acabou de ganhar o dia, a noite e a semana inteira. Olho pelo olho mágico e vejo aquele sorriso de canto de arrebatar qualquer ser humano existente na faca da Terra. Abro a porta, mais lentamente do que gostaria, e faço a típica cara de eu-não-acredito-que-você-está aqui.

- Eu trouxe pizza - você dispara. 

Abro um sorriso do tamanho do mundo, e jogo-me em ti para um abraço que eu esperei durante a semana inteira. É que eu sou tão previsível.

Ah, meu bem, tu sabes da falta que fazes. Se não soubesse, não estarias aqui agora enlaçado em meus braços, fazendo-me de teu cobertor. E eu sei da falta que te faço - é tanta saudade que não cabe em nós. Teu calor me acalma, tua alma faz-me tua. Fiz do teu peito minha morada, e até já ergui os muros. Teus beijos me dão as boas-vindas, tuas palavras soam como música para quem só sabe cantar. E tu, meu bem? Ah, tu me faz uma falta danada, mesmo estando aqui... é que eu quero tanto de ti.

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7 comentários

  1. Antes de qualquer coisa: acostumada com teus posts lindos todos os dias iluminando meu feed, foi quase uma tortura três dias sem ler nada do LNG. Obrigada, de nada.
    Agora, que texto lindo, Mari! Intenso, e diferente dos outros. Esperava uma ausência eterna, e ele chegou! Foi uma surpresa agradável (para ela e para nós), haha. O amor é isso mesmo, é a saudade que já não cabe, é sentir antes da pessoa ir, só pelo fato de saber que ela vai.
    Um beijo!

    Com carinho, Beca; Café de Beira de Estrada

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    1. Ai, que amor! Sabe que foi difícil até pra mim não conseguir postar? Ultimamente inspiração pra textos não estava rolando, e tempo menos ainda. Preciso urgentemente de mais horas no dia.
      Fico tão feliz que tenha gostado, muito obrigada <3 Tentei fazer algo diferente do que costumo fazer - que no caso seria a ausência eterna -. É sim, exatamente isso o que tu falou.
      Beijos.

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    2. Se descobrir como ter mais de 24h no dia, ou vira-tempos no mercado negro, por favor cpartilhe comigo kkk.
      E sim, gostei muito!! Adoro quando você surpreende nos seus textos com esses finais lindos e inesperados *-*
      bju

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  2. é tanta saudade que não cabe em nós s2s2s2s2s2s2s2s2
    lindo texto, cheio de ternura e um pouco de inocência, afinal qual história de amor não é boba?! e isso é a melhor das coisas não é mesmo?
    xero

    Desconstruindo blog

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    1. Ah, muito obrigada <3 É verdade, toda história de amor acaba trazendo momentos bobos e que podem parecer tolos e de certa forma engraçados para outras pessoas. E acho que tudo isso é que faz ser uma coisa tão boa!
      Beijos.

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  3. Que texto mais carinhoso Mari. É daqueles que da pra sentir a falta que o outro faz, daquele a gente a saudade batendo na porta e o coração a semana inteira, e de repente o barulho dos passos fazem tudo ficar pra trás.
    Coisa linda, amei de verdade.
    Beijos♥

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    1. Awn, que fofa! Muito obrigada pelo teu comentário. Quando a saudade não cabe no peito, cada aproximação é o suficiente pra fazer o nosso coração dar uns saltinhos.
      Beijos <3

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