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Sem definições, meu bem

quarta-feira, setembro 16, 2015


É natural do ser humano tentar nomear tudo que lhe convém. As pessoas gostam do que faz sentido, gostam de definições. É amor ou paixão? É namoro ou amizade? O incerto assusta de certa forma àqueles que pensam que devemos entender tudo - como se tudo tivesse uma explicação plausível. Por que não perdemos essa mania chata?

É tipo quando você gosta de alguém e jura que gosta de verdade - como se a gente tivesse que definir o nosso gostar. Sente o coração acelerar, as pernas tremerem. O nervosismo toma conta, estar com a tal pessoa é estar em êxtase. Aí um dia, passa. Não tem mais coração acelerado, não tem beijo que tire os pés do chão. Não tem palavras que façam os pelos do braço se arrepiarem. Não tem mais nada. E aí, vai dizer que nunca gostou de verdade só porque passou? Pois gostou sim. É tipo "foi eterno enquanto durou". O gostar existiu, foi real. Só que as coisas acabam, não vivemos de infinitudes. Vivemos de momentos, de sensações. Somos instantes.

A gente perde tempo demais buscando explicação, gasta horas tentando se encontrar. O ser humano gosta de ser calculista, de prever uma tempestade, de impedir um furacão. Ninguém gosta de se sentir deslocado, mas quantas vezes você já se deixou surpreender? Quantas músicas você ouviu até o final sem tentar passar pra frente?

Pare um pouco, não preste atenção só na letra. Aproveite a melodia, ouça os instrumentos ao fundo. Feche os olhos e permita-se ser deixado levar. Desça do barco, vá nadar um pouco - mesmo que não saiba, arrisque. Ande de pés descalços, esqueça um pouco dos sapatos. Não faça o mesmo caminho todos os dias, não se deixe ser rotina. Pegue outra rua, visite outro café. Abra a porta da sua casa e deixa o vento entrar e levar todas as dúvidas embora. Permita-se ser certeza, mesmo que seja incerto. Tenha em mente apenas uma coisa: sinta sem culpa e sem interrogações. Sinta mesmo se não fizer sentido algum, mesmo quando não tiver nome ou endereço. Seja dono das suas próprias emoções, mas deixe-as voar.

Se me perguntarem por que escrevo, responderei: por que respiras? É simples assim, sem atordoamento algum ou dúvidas. Não posso explicar o motivo pelo qual escrevo, não posso definir o que sinto ao terminar um texto. Mas eu não preciso de uma resposta, não preciso nomear nada. É assim que sou, é algo que me faz sentir viva. Que me faz sentir, e isto se basta por si só.

O problema, meu bem, é que nós somos seres difíceis de lidar. Assumimos que podemos saber e entender tudo, afinal, somos racionais. Então como não seríamos capazes de entender certas coisas, não é mesmo? O que a gente esquece, é de ser irracional um pouco. Isso faz bem pra alma. Então desliga o teu botão do automático e para de tentar entender. Seja um pouco desentendido de vez em quando. As melhores coisas não são aquelas que podem ser definidas: são aquelas que podem ser apenas sentidas

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6 comentários

  1. "Permita-se ser certeza, mesmo que seja incerto." Ameeeeeeeeeeei Mari, mais um texto incrível.

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    1. Ai Lu, muuuito obrigada <3 Espero que eu tenha conseguido passar a mensagem que queria, fico feliz que tenha gostado.

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  2. Eu não sei se acordei sensível demais ou os textos que estou lendo hoje é que são muito intensos, mas me emocionei (de novo). É exatamente o que eu digo, não é porque acabou que nunca foi real. Amor é como café, se você não cuidar, ele esfria, mas isso não quer dizer que nunca foi quente. "Que seja eterno enquanto dure." Lindo texto, Mari. Para que rótulos? Para que definir tudo? Embora não ter o controle das situações e dos meus sentimentos seja meio desesperador para mim, não saber exatamente o que sinto ou outras coisas é libertador. Não sei se expliquei bem kk, sou ruim com comentários que expressem o que senti ao ler, mas acho que você já se acostumou (eu espero).
    Lindo texto, Mari, um beijo.

    Com carinho, Beca; Café de Beira de Estrada ♥

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    1. Awn ♥ As pessoas tem mania de ficar rotulando sentimentos, de pensarem que quando acaba, nunca existiu. Acho isso tão errado! Entendi o que tu quis dizer, sei bem como é ficar louca ao ter um turbilhão de sentimentos e ao mesmo tempo não precisar defini-los para estar feliz. Agradeço o teu comentário Beca =) Bom saber que gostou do texto. Beijos

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  3. Oiii! Mariii.. eu tambem acho isso. Ate ja escrevi sobre isso no blog tambem. Quer ver quando e' casal novinho.. adoraaaam taxar o que esta acontecendo, pra onde vao e etc. Acho que as pessoas esquecem de curtir, sentir e realmente estar naquilo e se preocupam muito com definicoes. Otimo texto. Beijinhos

    http://www.verdadeescrita.com/a-sociedade-conectada/

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    1. Oii Rebeca! Isso é verdade, tem tantos casais por aí que falam coisas sem saber do que estão falando - ou ao menos tentam se definir. As pessoas estão preocupadas demais em saber exatamente o que está acontecendo e tem medo de não entenderem. Realmente precisamos saber aproveitar cada segundo e questionar menos. Apenas viver o momento! Muito obrigada :) Beijos.

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