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Meia-luz

terça-feira, março 31, 2015


"Todo mundo tem a sua metade da laranja". Bem, talvez eu não tenha. E não, não é complexo de inferioridade. É a certeza de uma integridade. Um sentimento de inteirice. A gente não se completa, se complementa. Não quero 1/4 de homem, nem a metade. Quero alguém que seja inteiro, que se complete por si e que seja preenchido pelas suas próprias ideias, guiado pelos seus pensamentos e proprietário de suas vontades.

Não quero meio copo d'água, nem metade da fatia do bolo. Não quero meios tons, e sim quinze. Não quero meias-palavras sussurradas pela sua boca. Pode ser à meia-noite -metade claro e metade escuro-, mas as quero inteiras.

Metade do caminho nunca me agradou, e reprimo completamente filmes vistos pela metade, quando meus olhos já estão fixos na tela e meus pensamentos voltados àquela história fictícia que tanto me apetece. Também confesso que quando alguém ouve um minuto e meio de uma música e passa para a próxima, algo quebra dentro de mim. E eu tenho uma enorme vontade de ouvir - como deveria ser - os 90 segundos restantes. Eu nunca li um livro pela metade, nem vi uma série pela metade. E também não podemos prezar por amigos pela metade.

Eu não quero conhecer alguém pela metade. De que adiantam olhares simpáticos se eles nem ao menos se compreendem sem palavras? E de que adianta conhecer apenas metade da história de alguém se você não estava lá no início e resolveu não ficar pro fim? Essa é a teoria, mas a prática não funciona assim: somos feitos de pedaços, partes de outros alguéns. E são esses partes que fazem a nossa história ser completa. Ter começo, meio e fim.

Indiscutivelmente, sou feita de inteiros. Eu nunca senti pela metade, sempre fui amante dos ápices. Do grupo dos que sentem demais. Por inteiro. E apesar de as metades às vezes fazerem parte de mim, tento optar pelos inteiros. Esses sim, nos constroem e precisam ser valorizados. Esses sim, nos tornam mais inteiros do que qualquer dia ousaríamos ser.

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4 comentários

  1. Verdade Mari! Temos que ser inteiros por nós mesmos e viver de forma completa em tudo que fazemos e não mais ou menos e nem pela metade. Adoro teus textos e curto lê-los sempre, estás de parabéns! Beijos

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    1. Muito obrigada dinda! Concordo contigo. Beijos

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  2. Lindas palavras!
    Me identifiquei por inteiro...se é que me entende...rs
    Te espero em meu espaço:

    http://soestri.wordpress.com

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    1. Awn, obrigada! Fico feliz que tenha gostado =)

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