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Aquilo que não te pertence

quarta-feira, março 11, 2015



Pra ler ao som de: Snap Out Of It- Arctic Monkeys


Ela se levantou, como quem estava prestes a caminhar por cima do mar com passadas que causariam um estrondo e - cá entre nós - que estrondo. Andou lindamente até o bar e passou na tua frente, mas ela não te olhou. Não, ela não estava fazendo. Ela nem te viu. Nem por um segundo.

Ela aceitou o teu pedido de amizade no Facebook, mas isso não significa que ela está prestes a dar o número do celular e ceder outras coisas também. Aliás, ela estava online e não respondeu aquele oi que tu mandou acompanhado de um elogio clichê - e medíocre. Ela até visualizou e demorou 20 minutos pra responder. Não, ela não estava bancando a difícil. Ela só não quis responder.

Isso te incomoda? Eu sei que sim. Ela te rouba o sossego e você só não deixou escapar o nome dela nas mesas de bar por orgulho. Ela te fez conhecer o desprezo, e ela se fez a mulher dos teus sonhos, que tu nem sabe - e nunca vai admitir - que tem. Ao contrário de todas, que de um sorriso teu se fazem dominadas, ela só deu um sorriso sem graça e não retornou o olhar. Nem a ligação, nem a mensagem. Ela não te quer.

Ela já te quis, mas de caras como tu, ela entende. De caras do tipo futuro do pretérito. De caras sem amanhã, que só vivem do agora e fogem de palavras ditas ao pé-do-ouvido. Sinceramente, não posso te julgar. Estaria indo contra aquilo que eu vou atrás, se é que me entende.

Ela te obriga a lidar com algo que tu não sabe lidar. Arrogância. Negação. Foram tantas as desculpas que tu já até perdeu a conta, mas lá no fundo mente pra si mesmo que é invenção da mente. Não é. Ela liga pra outros caras, sim. Tu até conferiu se o teu telefone continua com área, se não estragou e se ela não se mudou. Na verdade, teu telefone tem área até naquela praia deserta que tu levou umas amigas uma vez, e continua funcionando perfeitamente. Ah, ela continua no mesmo lugar. Há 6 anos, aliás.

Teu jogo é o da conquista, mas dessa vez o conquistado é tu. A caça é tu, e os papéis se inverteram, meu bem. Ela posicionou a armadilha bem até demais - mesmo sem querer - e tu caiu direitinho. Tu foi fisgar e mordeu a isca. Foi convidar e - mesmo sem ser convidado - aceitou o convite. Sim, isso aconteceu.

Mas é aquela história, a gente só dá pra valor pro que perde. Várias vão atrás, e elas até servem pra ti por uma noite, mas ela nunca vem pra nenhuma. Várias te imploram, mas é tu que implora por ela. Tu implora até ela ceder, porque quando ela cede, ah, daí acabou tudo. Ponto final e fim de jogo. Ela recebe todos os nãos que um dia já saíram da boca dela em direção aos teus ouvidos, e aí é tarde demais.

Mas ela não te pertence, e ela é isso. Aquilo que não te pertence. E é por isso que ela deveria ser tão tua. Mas como eu já disse, tu é um homem de futuro do pretérito. E homens assim, continuam nessa conjugação verbal. Deveria.

E tu? Tu deveria sair dessa.

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