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Luz

quarta-feira, setembro 10, 2014

Eu sempre soube. Eu sempre senti no teu olhar que tu não sabias como ficar. Era um fugitivo. Da vida, dos apegos e das memórias. Eu sentia em teus braços a tua imensa necessidade de correr. De passar por entre os carros, entre as ruas e morros, ofegante, sem parar. De chegar no meio daquelas árvores confusas e imprecisas naquela imensidão infinita, e se perder. Perder o ar, perder o rumo.
Sentada na beirada da cama, olhei através do vidro do teu apartamento. Olhei para trás e te vi, entre poucas cobertas, envolto em um sono profundo. Observei as luzes iluminando o lago que movimentava suas águas calmas, e a lua que brilhava no céu sem estrelas daquela noite. Aquela noite que eu olhei no fundo dos teus olhos e soube mais do que nunca. A luz da tua alma irradiava pra mim. Mas eu não a enxergava. Eu não pude evitar. Implorei para o teu mais profundo ser falar para mim. Mas ele não falava. Tu não falavas, nunca falou. Senti teus lábios como uma água límpida que matava a minha sede. Mas não era o suficiente. Tu nunca fostes o suficiente pra mim. 
Tu não eras, tampouco sabias como não ser. 
E eu, era o quê?

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