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A tal da saudade

sexta-feira, julho 25, 2014

 

E de repente, ela saiu das sombras. Criou vergonha e decidiu mostrar a cara. Me cutucou com uma ponta bem afiada, sem piedade nem medo. Não teve pena, me feriu fundo. Cicatrizou, mas ela decidiu mexer na cicatriz. Trouxe as memórias de volta. Perguntou, provocou, puxou briga. Resolveu ficar por um tempo.
Eu tinha até esquecido do gostinho dela. Do cheiro bom que ela traz de volta, e das asas que ela nos dá. Já tinha aprendido a voar sem elas. Ela decidiu colocar uma música sarcástica pra tocar, aquela que eu tinha guardado no fundinho do meu celular pra nunca mais ouvir. Resgatou uns sentimentos que eu nem sabia mais que tinha. (In)felizmente, eles só estavam submersos em mim, esperando pelo momento de vir à tona.
Acabei abrindo a porta pra ela entrar. Não a recebi com o melhor sorriso ou minha melhor roupa. Agora, diretamente para ela: seja bem-vinda. Só não fica muito tempo. Não tome meu presente e não traga tanto do meu passado. Deixa ele lá, trancadinho na última gaveta do meu armário junto com aquelas fotos que eu não quis rasgar. Porque tu é tão complicada, tão nostálgica. Provavelmente tanto quanto eu.
Um dia - não me pergunte qual -, ela saiu pela porta dos fundos.Sorrateira, num silêncio profundo. Eu nem lembrava mais que ela estivera ali. Acho que já me acostumei com isso. Eu continuei meu presente, pensando no futuro. Como sempre. Afinal, ela já não estava mais ali me trazendo os resquícios de dias que eu já não sabia mais se queria lembrar ou não.
Não que eu não goste dela, mas a minha cara não está sempre das melhores para recebê-la. É, ela mesmo. 
A tal da saudade.


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